Kata
O Kata, tradicionalmente representa a essência do Karatê. Ele consiste num conjunto de movimentos técnicos pré-definidos,”defesas, ataques, projeções, etc, que simulam um combate contra um ou mais adversários.
O Kata foi concebido sequencialmente com elevado grau de dificuldade, já que todos os tipos de situações nele encontramos, em que teremos de aperfeiçoar o equilíbrio, a velocidade de execução, a potência das técnicas, a harmonia e a leveza, a postura e a própria condição física. A sua origem perde-se na história e estes mais que uma série de técnicas representam uma valiosa tradição cultural.
O Kata deve ser realizado com Kime (concentração total da energia física, mental e espiritual na execução das técnicas), com espírito Zanshin (consciência da ação, estado de alerta máximo) e com total compreensão do significado dos movimentos - Bunkai- . Só assim, e com a prática regular os movimentos se interiorizam até se tornaram instintivos, podendo ser usados em situações de combate real com grande eficácia.
Sensei Othsuka estudou dezenas de Katas com vários Mestres, chegando à conclusão que nove seriam suficientes para um bom aprendizado. Tal não é de admirar visto que segundo ele eram necessários 3 anos de treino para realizar um kata com mestria. Contudo numa fase posterior foram adicionados mais seis ao programa oficial.
Os Katas de Wado-Ryu apresentam algumas diferenças de terminologia relativamente aos mesmos Katas de outros estilos, já que Sensei Ohstuka optou por manter os nomes originais dos mesmos, que como se sabe são originários da China, mantendo assim a sua origem.
No estilo Wado-Ryu utiliza-se posições clássicas, e privilegia-se as ações defensivas altas (Jodan), que é paradigma nos Kata Pinan, por considerar a cabeça uma zona muito vulnerável e frágil do corpo humano, e naturalmente muito mais exposta de ser atacada. Todavia, nos restantes Kata de Wado-Ryu também são utilizadas ações defensivas quer ao nível médio ( chudan) quer ao nível baixo (gedan).
Os Katas de Wado-Ryu são também praticados nos estilos Shito-Ryu ( Pinans ) e Shotokan ( Heians ) havendo porém diferenças fundamentais que os distinguem. Os Katas Wado obedecem aos princípios do estilo que são a velocidade de execução, maximização da eficácia e ausência de movimentos supérfluos.
Katas praticados no estilo Wado-ryu (hiperlink do vídeo):
Pinan Shodan, Pinan Nidan, Pinan Sandan, Pinan Yodan, Pinan Godan, Kushanku, Naihanchi, Seishan, Chinto, Bassai, Wanshu, Jitte, Rohai, Niseishi, Jion
Pinans (Katas Básicos)
O significado do termo Pinan, segundo historiadores, surgiu em Okinawa durante os conflitos existentes na ilha. Depois de um conflito de clãs ou de outros, vinha o sossego, a paz e a tranquilidade, Pin-an significa tranquilidade.
São 5 katas os Pinans, cuja origem como atrás foi dito é chinesa, foram criados em 1907 por Anko Itosu, ( Shuri-te ), e foram ligeiramente modificados e mais tarde designados por Heians por Gishin Funakoshi.
Katas Superiores
Kushanku: Este kata foi criado em homenagem a um mestre chinês chamado Kong Shang e que dada a pouca formação cultural do povo de Okinawa, não chamava esse mestre pelo nome correcto, mas sim por Kunshan-Ku, que significa “olhar o Céu, abraçar o céu”. Posteriormente e por influência do Sensei Funakoshi o Kata na shotokan passou a chamar-se Kanku-dai. Vídeo exemplo Bunkai.
Naihanshi: Representa “o campo de batalha”. Trata-se de um Kata que é feito apenas numa só posição. No estilo Shotokan o Kata tem o nome de Teki. Vídeo exemplo Bunkai.
Seishan: Tem o significado de “meia lua”. No Shotokan tem o nome de Hangetsu. Vídeo exemplo Bunkai.
Chinto: Chamaram-no de Chinto por ser um Kata rápido e fluído. Diz a história que foi em homenagem a um marinheiro chinês com esse nome e que havia escapado de uma luta pela sua habilidade e destreza. No Shotokan tem o nome de Gankaku. Vídeo exemplo Bunkai.
Jitte: Tomari-te. Tem o Significado de “10 Mãos".
Jion: Tomari-te. Tem nome do templo onde se criou, Shaolin. Vídeo exemplo Bunkai.
Bassai: Tomari-te, significa “ fortaleza”. No Shotokan tem o nome de Bassai-Dai. Vídeo exemplo Bunkai.
Niseishi: Shuri-Te, significa “Os 24 passos”. O mesmo Kata no Shotokan se chama de Nijushiho (Mais).
Rohai: Tomari-te. Tem o significado do “ O espelho da alma”, no Shotokan tem o nome de Meikyo.
Wanshu: Por volta de 1683, um mestre chinês chamado Wang Ji, e que também era conhecedor de Kempo, instalou-se na região central Tomari-te. O povo Okinawaense não conseguia pronunciar correctamente o nome de Wang Ji e sim Wan-Shu. Daí o Kata ter ficado com esse nome. No Shotokan passou a chamar-se Empi. Vídeo exemplo Bunkai.
Kata No Rokugensoku (seis princípios fundamentais do Kata):
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Ikita Kata: O Kata deve ser vivo e realizado com sentimento e propósito;
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Inen: O Kata deve ser realizado com espírito;
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Chikara No Kyojako: O Kata deve ser realizado com variações na aplicação da força e da técnica, ser forte, com rendimento, rígido e macio;
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Waza No Kankyu: O Kata também deve ter variações no tempo, umas vezes com movimentações rápidas e outras com movimentos lentos;
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Kisoku No Donto: O Kata deve ser praticado com ritmo correcto da respiração;
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Balance: O Kata deve ter bom equilíbrio e ser sempre mantido durante o seu desempenho.
Bunkai das Pinan (Vídeo exemplos).
Bunkai (分解) significa "desmontagem": é o estudo do significado de combate por trás de cada movimento do kata. Um mesmo gesto admite mais de uma aplicação válida — por isso o bunkai não é uma resposta única, mas um caminho de investigação, aprofundado com o tempo e sob a orientação do Sensei. No Wado, a série é normalmente aprendida começando por Pinan Nidan e só depois Pinan Shodan. As cinco Pinan foram criadas por Anko Itosu, por volta de 1905, para introduzir o Karatê de forma segura e progressiva.
Pinan Nidan: defesas altas e médias com entrada de corpo — o primeiro contato do aluno com a lógica de desviar e responder. A abertura pode ser lida como a liberação de uma pegada no punho, girando o corpo para quebrar o ângulo de força do agressor (o princípio inasu, evadir cedendo). Vídeo exemplo Bunkai.
Pinan Shodan: transições entre defesa aberta (shuto) e ataque, com trabalho de mãos em faca e mudança de nível. As defesas em shuto uke podem ser aplicadas como controle do braço atacante seguido de golpe com a mão em faca ao pescoço ou clavícula — desviar e ferir no mesmo tempo. Vídeo exemplo Bunkai.
Pinan Sandan: curta distância, cotovelos e defesas simultâneas — a introdução ao combate quando a distância se fecha. As defesas cruzadas podem ser lidas como defesa e imobilização do braço do agressor, herança direta do jujutsu (Shindo Yoshin Ryu) que forma a raiz do Wado; os golpes de cotovelo (empi) são a resposta na distância corpo-a-corpo. Vídeo exemplo Bunkai.
Pinan Yodan: combinações complexas, chutes e transições defesa-ataque em fluxo. A abertura com defesas abertas simultâneas pode ser aplicada como proteção da cabeça com desvio, criando ângulo para o chute seguinte; as sequências de chute mais golpe de mão treinam o encadeamento ininterrupto — a ideia Wado de não dar ao oponente o intervalo para reagir. Vídeo exemplo Bunkai.
Pinan Godan: desvios amplos, mudanças de altura e projeção — a síntese da série. Os movimentos de rotação ampla podem ser lidos como desequilíbrio e projeção do oponente (kuzushi e nage), outra marca da herança jujutsu do estilo, e o salto final como escape de uma pegada baixa ou reposicionamento diante de um segundo agressor. Do Nidan ao Godan, o praticante percorre — sem perceber — todas as distâncias de combate, das defesas longas ao corpo-a-corpo e à projeção. Vídeo exemplo Bunkai.

